A inteligência artificial está aumentando ou reduzindo o consumo da refrigeração?

Os modelos de inteligência artificial são processados em servidores com grandes quantidades de GPUs. Quanto maior a capacidade de processamento, maior o consumo elétrico e maior o calor produzido.

Segundo a Agência Internacional de Energia:

  • o consumo elétrico dos data centers cresceu 17% em 2025;
  • os data centers especializados em IA cresceram ainda mais rapidamente;
  • o consumo mundial dos data centers pode dobrar até 2030;
  • o consumo das instalações focadas em IA pode triplicar no mesmo período.

A ASHRAE já trabalha com ambientes de IA que concentram 50 a 100 kW ou mais em um único rack, podendo chegar à faixa de 120 kW. Nessa densidade, simplesmente soprar ar frio sobre os servidores começa a ser insuficiente ou pouco eficiente.

Portanto, sem refrigeração avançada, não existe expansão sustentável da inteligência artificial.

Mas a IA também pode reduzir o desperdício da refrigeração

O problema dos sistemas tradicionais é que muitos trabalham com regras fixas:

  • temperatura determinada;
  • velocidade constante;
  • horários predefinidos;
  • resposta somente depois que o ambiente aquece.

A inteligência artificial permite analisar simultaneamente:

  • consumo elétrico dos servidores;
  • carga de processamento;
  • temperaturas;
  • fluxo de ar ou líquido;
  • condições externas;
  • comportamento histórico;
  • desempenho de chillers, bombas e ventiladores.

Em julho de 2026, Daikin e NTT Data iniciaram um teste justamente com essa proposta. O sistema tenta prever o estado térmico interno dos servidores por meio do consumo elétrico e de dados indiretos, antes mesmo de a temperatura externa ao rack mostrar o problema.

A IA passa então a coordenar:

  • climatização do ambiente;
  • chillers;
  • sistemas de líquido;
  • bombas e controles.

O objetivo é evitar tanto a refrigeração excessiva quanto a falta de capacidade térmica. O teste será realizado até março de 2027, com intenção de comercialização a partir do ano fiscal de 2027.

A grande mudança

Hoje, boa parte dos sistemas reage ao calor.

A próxima geração tentará prever o calor e ajustar o sistema antes que ele apareça.

Isso muda a manutenção também. Em vez de esperar:

  • a pressão ficar errada;
  • a temperatura subir;
  • o compressor parar;
  • um produto ser perdido;
  • o servidor reduzir desempenho;

o sistema procura pequenos desvios e padrões que indiquem uma futura falha.

Isso não vale apenas para data centers

A IA já está sendo aplicada na refrigeração de supermercados.

A Danfoss e a Microsoft estão ampliando uma plataforma que monitora sistemas de refrigeração 24 horas por dia, buscando detectar problemas, perdas de desempenho e vazamentos antes que se transformem em ocorrências maiores.

A Danfoss afirma que sua solução pode reduzir em até 15% o consumo energético da refrigeração e em até 30% o desperdício de alimentos. Esses números são informados pelo próprio fabricante e dependem das condições de cada operação, mas demonstram onde a tecnologia está sendo aplicada.

Na prática, a IA pode ajudar a identificar:

  • compressor trabalhando mais tempo que o normal;
  • evaporador perdendo eficiência;
  • degelo excessivo;
  • porta permanecendo aberta;
  • sensor apresentando desvio;
  • possível vazamento de refrigerante;
  • câmara demorando mais para recuperar a temperatura;
  • consumo elétrico incompatível com a carga térmica.

O que ainda é exagero

Não significa que a IA substituirá refrigeristas, projetistas ou operadores.

Ela depende de:

  • sensores corretamente instalados;
  • dados confiáveis;
  • equipamentos capazes de ser controlados;
  • manutenção física;
  • profissionais que interpretem os alertas;
  • regras de segurança.

Uma IA alimentada com sensores defeituosos pode tomar decisões ruins com muita confiança.

A tecnologia também não troca compressor, não corrige vazamento e não recupera fluido. Ela ajuda a detectar e decidir; a execução continua física e técnica.

 

 

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