Todo ano é a mesma cena. Novembro chega, o calor aperta, o telefone não para, e aí não tem gás no estoque, não tem agenda livre, não tem técnico disponível. Você vira o verão inteiro apagando incêndio — e no fim das contas fatura menos do que poderia, porque perdeu serviço por falta de capacidade.
A diferença deste ano é que a previsão já está publicada, com nome e fonte oficial. E ela não é sutil.
O que dizem os órgãos oficiais
O INMET, em parceria com INPE, ANA, CEMADEN, Serviço Geológico do Brasil e Defesa Civil, vem divulgando boletins de monitoramento do El Niño. O quadro é claro.
Sobre a permanência e a intensidade: <cite index="120-1">os modelos indicam probabilidade acima de 90% de permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027, com alta probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte, quando as anomalias de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial ficam acima de 2,0 °C, entre a primavera e o verão de 2026.</cite>
Sobre a probabilidade: <cite index="118-1">as previsões da NOAA indicam evolução em direção a um fenômeno de forte intensidade, com 81% de probabilidade de atingir a categoria de muito forte no trimestre outubro-dezembro.</cite>
E o que interessa diretamente ao nosso trabalho: <cite index="118-1">para a temperatura, a previsão indica valores acima da normal em praticamente todo o País, favorecendo episódios de ondas de calor e baixa umidade relativa do ar.</cite>
Traduzindo em uma frase: previsão oficial de pico de demanda entre outubro e março.
Por que isso é uma notícia boa (e não um alerta)
Porque o setor já vinha crescendo puxado exatamente por esse fator — e o segmento que mais cresce é justamente o de quem lê este texto.
Segundo balanço da ABRAVA, <cite index="128-1">o setor de Aquecimento, Ventilação, Ar Condicionado e Refrigeração faturou cerca de R$ 50,15 bilhões em 2025, com perspectiva de chegar a R$ 55,62 bilhões até o final de 2026.</cite> E o detalhe que muda a leitura: <cite index="128-1">o setor que mais se destacou foi o de instalação e manutenção de aparelhos, que cresceu 20,7% em relação a 2024,</cite> com <cite index="128-1">expectativa de seguir a tendência e crescer 19,8% até o final do ano.</cite>
<cite index="130-1">O desempenho foi impulsionado principalmente por ondas de calor, que ampliaram a demanda por conforto térmico nos segmentos residencial e comercial.</cite>
Ou seja: instalação e manutenção — o serviço de campo, o que você faz — é o segmento que mais cresce da cadeia inteira. E vem aí o gatilho climático que historicamente empurra esse número para cima.
A pergunta não é "vai ter demanda?". É "você vai estar pronto para atendê-la ou vai perder serviço por falta de estrutura?"
O plano de 90 dias: setembro, outubro, novembro
🗓️ Setembro — mês de organizar
1. Faça a conta do seu verão passado. Quantos atendimentos você fez em dezembro e janeiro? Quantos você recusou ou perdeu por não ter agenda? Esse segundo número é o seu potencial não realizado — e é a base de tudo que vem a seguir.
2. Reative sua carteira antes que ela ligue para outro. Este é o mês do contato preventivo. Uma mensagem simples para cada cliente da base: "Antes do calor chegar, vale fazer a revisão do seu equipamento com hora marcada."
Em setembro o cliente tem tempo, tem calma e aceita agendar. Em dezembro ele quer alguém hoje, e não vai perguntar preço nem escolher fornecedor.
3. Feche contratos de manutenção preventiva agora. Aquele contrato que você não conseguiu vender em junho, você vende em setembro — porque agora existe um argumento com data: a previsão oficial de temperaturas acima da média.
Cliente comercial entende esse raciocínio imediatamente. Restaurante, mercado, farmácia, padaria: câmara parada em pico de calor não é inconveniente, é prejuízo.
🗓️ Outubro — mês de abastecer
4. Compre antes, não durante. Em novembro e dezembro, prazo de entrega estica e disponibilidade aperta em todo o mercado — não por falta de produto, mas porque todo mundo compra na mesma semana.
Fluido, filtro secador, solda, capacitor, contator, isolamento, fita: item de giro rápido comprado com antecedência custa menos esforço e evita a corrida de última hora.
5. Compre no formato certo, não no maior formato. Aqui vale a lógica que já defendemos: embalagem menor reduz sobra de cilindro, facilita transporte na rua e libera capital de giro que ficaria parado no estoque. Num período de juros elevados, dinheiro imobilizado em estoque grande é custo silencioso.
O ponto não é comprar pouco. É comprar no tamanho do seu serviço real.
6. Revise a ferramenta antes da temporada. Manômetro fora de calibração, mangueira ressecada, detector com bateria fraca, maçarico falhando. Consertar isso em outubro custa uma manhã. Descobrir em dezembro custa um dia de serviço.
🗓️ Novembro — mês de executar
7. Bloqueie agenda para emergência. Reserve uma faixa fixa por dia para o chamado urgente. Se você lotar 100% da agenda com preventiva, a emergência — que paga mais — vai chegar e não vai ter onde entrar.
8. Defina sua tabela de temporada antes de precisar dela. Deslocamento fora de horário, atendimento em fim de semana, urgência com prioridade. Deixe isso escrito e definido. Quem improvisa preço com o telefone tocando cobra errado — quase sempre para menos.
9. Prepare a equipe para o volume. Se você trabalha com ajudante ou terceiro, alinhe disponibilidade agora. Em dezembro, técnico bom já está comprometido com outra empresa.
Um lembrete que economiza serviço em dobro
Pico de calor é também pico de diagnóstico errado com pressa.
O equipamento que "não gela" em dezembro nem sempre está sem carga. Pode ser condensador saturado, filtro obstruído, ventilador com rotação caída, dreno entupido ou dimensionamento insuficiente para a carga térmica do ambiente.
Completar carga sem localizar a causa é vender o mesmo problema duas vezes — e voltar lá em janeiro sem faturar. Na temporada, medir certo é o que separa quem termina o verão cansado e lucrativo de quem termina só cansado.
Um cuidado que vale para o Nordeste e para o Norte
A previsão sazonal também aponta <cite index="118-1">déficit de precipitação no centro-norte, com baixa umidade relativa do ar,</cite> e <cite index="125-1">indicativos de condições mais secas em áreas do Sudeste e do Centro-Oeste durante a primavera, abrangendo Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás e Bahia.</cite>
Calor com ar seco significa mais poeira em suspensão — e isso satura filtro e serpentina mais rápido que o normal. Em ambiente comercial, pode valer antecipar a periodicidade de limpeza da preventiva. É um argumento técnico legítimo para propor visita adicional no contrato.
Não existe surpresa climática este ano. Existe previsão publicada, com fonte oficial e horizonte definido.
Quem tratar essa informação como notícia vai continuar apagando incêndio em dezembro. Quem tratar como plano de trabalho vai chegar em janeiro com agenda cheia, estoque abastecido, preço definido e margem preservada.
Preparação é o que transforma pico de demanda em faturamento — em vez de transformar em estresse.
A Metalux Group está com o abastecimento planejado para a temporada. Fale com a gente em setembro e organize sua compra antes da corrida.
A previsão em três números 90%+ — probabilidade de o El Niño permanecer até o início de 2027 81% — probabilidade de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro 19,8% — crescimento esperado do segmento de instalação e manutenção em 2026, segundo a ABRAVA
Fontes: INMET/NOAA e ABRAVA