174 países já assinaram o fim gradual dos HFCs.
A pergunta não é mais "se", é "quando" isso vai bater na sua prateleira.
No dia 12 de agosto de 2026, Madagascar se tornou o 174º país a ratificar a Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal. Pode parecer só mais um nome numa lista longa, mas cada nova adesão é um tijolo a mais na construção de um consenso global: o mundo está migrando, de forma organizada e com prazos definidos, para gases refrigerantes de baixo impacto climático.
O que é a Emenda de Kigali, rapidamente
A Emenda de Kigali é um adendo ao Protocolo de Montreal — o mesmo tratado internacional que, nos anos 1990, tirou de circulação os CFCs e depois os HCFCs por destruírem a camada de ozônio. A diferença é que a Kigali não mira o ozônio, e sim o clima: seu alvo são os HFCs (hidrofluorcarbonos), gases que não agridem a camada de ozônio, mas têm um potencial de aquecimento global (GWP) centenas ou milhares de vezes maior que o do CO2.
Ao ratificar o acordo, cada país se compromete com um cronograma de corte na produção e no consumo de HFCs — uma redução de mais de 80% até 2045, segundo o texto do acordo. Entre os signatários já estão potências como China, Estados Unidos e Índia, o que dá uma dimensão do peso econômico e industrial por trás desse movimento.
Por que isso interessa a quem revende e instala refrigeração comercial
Esse não é um assunto distante, de gabinete diplomático. Ele chega no dia a dia de quem compra, vende e instala equipamento de refrigeração de três formas concretas:
Primeiro, pela oferta e pelo preço. Conforme os países aprovam suas cotas nacionais de redução, a produção de gases tradicionais como R-404A, R-134a e R-410A fica mais restrita ano após ano. Menos oferta, mesma (ou maior) demanda, é receita clássica para pressão de preço — algo que o setor já vem sentindo em ciclos de alta nos últimos anos.
Segundo, pela substituição de linha. Fabricantes de equipamentos já vêm projetando novas unidades compatíveis com gases de baixo GWP — R-290 (propano), R-32, R-1234yf/ze, CO2 (R-744) — e essa tendência só vai se acelerar. Quem revende equipamento e presta assistência técnica precisa estar tecnicamente preparado para essa nova geração de gases, incluindo os cuidados de manuseio específicos de fluidos inflamáveis (classe A2L/A3) ou que operam em pressões diferentes (CO2 transcrítico).
Terceiro, pela oportunidade comercial. Clientes que hoje têm sistemas antigos, dependentes de gases que serão cada vez mais escassos e caros, vão precisar de orientação para decidir entre manter, fazer retrofit ou substituir o sistema. Quem já domina esse assunto e consegue explicar com clareza as opções sai na frente — tanto na venda de equipamento novo quanto na venda de serviço técnico.
O takeaway prático
Não é hora de pânico, é hora de planejamento. Vale revisar com sua equipe técnica quais linhas de produto e quais gases fazem parte do portfólio hoje, e começar (se ainda não começou) a se capacitar e a capacitar o time de vendas para conversar sobre as alternativas de baixo GWP com segurança. Quem se antecipa transforma uma mudança regulatória em vantagem competitiva.