O mercado global voltou a enfrentar um ponto de atenção importante: o custo logístico.
Nos últimos anos, importadores de diversos setores passaram a lidar com um cenário de fretes mais voláteis, prazos menos previsíveis e rotas marítimas mais sensíveis a fatores geopolíticos e climáticos. Para o mercado de refrigeração, isso tem impacto direto no custo final de produtos importados, incluindo gases refrigerantes, peças, componentes e equipamentos.
Segundo a UNCTAD, órgão das Nações Unidas para comércio e desenvolvimento, os fretes marítimos seguem altos e voláteis, enquanto interrupções portuárias e tensões em rotas estratégicas continuam testando a confiabilidade das cadeias globais de suprimento. A entidade destaca que a navegação mundial passou a operar em um ambiente mais instável, com impacto direto nos custos de transporte e nos prazos de entrega.
Um dos exemplos mais relevantes é a crise no Mar Vermelho. O Banco Mundial aponta que as interrupções nessa rota aumentaram significativamente as distâncias e os tempos de viagem dos navios, já que muitas embarcações passaram a evitar o Canal de Suez e a contornar o Cabo da Boa Esperança. Esse desvio representa mais combustível, mais tempo em trânsito, maior custo operacional e maior pressão sobre a disponibilidade de navios e contêineres.
Como isso chega ao preço final?
Quando o frete sobe, o impacto não fica isolado no transporte.
Ele entra no custo total da importação, junto com dólar, impostos, armazenagem, seguro internacional, despesas portuárias e capital imobilizado. Em produtos de alto giro ou grande volume, como gases refrigerantes e componentes de refrigeração, qualquer variação logística pode alterar a margem e o preço final de venda.
Na prática, o cliente sente isso de algumas formas:
- aumento no custo de reposição;
- maior prazo para chegada de mercadoria;
- redução de disponibilidade imediata;
- necessidade de planejamento antecipado;
- menor espaço para negociações agressivas de preço.
A UNCTAD também aponta que interrupções no Mar Vermelho, no Canal de Suez e no Canal do Panamá contribuíram para tornar as tarifas de transporte de contêineres mais imprevisíveis desde 2023 e 2024.
O Brasil é impactado?
Sim. Mesmo quando a rota principal da carga não passa diretamente por uma região em crise, o Brasil sente os efeitos do mercado global.
Isso acontece porque a frota marítima é global. Se navios ficam mais tempo em trânsito em uma rota, há menos disponibilidade em outras. Se seguradoras elevam custos em áreas de risco, se combustível sobe ou se grandes players disputam espaço com mais urgência, o efeito se espalha.
Para o importador brasileiro, o cenário fica ainda mais sensível porque existe outro fator decisivo: o câmbio.
Ou seja, quando frete internacional e dólar se movimentam ao mesmo tempo, o custo de importação pode mudar rapidamente.
O que isso significa para o mercado de refrigeração?
O setor HVACR depende de uma cadeia global. Gases refrigerantes, cilindros, válvulas, filtros, compressores, condensadoras, evaporadoras e diversos componentes circulam por rotas internacionais antes de chegar ao cliente final.
Por isso, o mercado precisa entender que preço não depende apenas da fábrica. Depende também de logística, disponibilidade, câmbio, regulação, seguro, porto e prazo.
Em um cenário de fretes instáveis, comprar apenas pelo menor preço pode ser arriscado. O mais importante é avaliar procedência, estoque, documentação, previsibilidade e capacidade real de entrega.
O aumento ou instabilidade dos fretes internacionais não é apenas um problema logístico. É um fator que influencia diretamente o preço dos produtos importados no Brasil.
Para empresas que dependem de gases refrigerantes e componentes de refrigeração, o momento exige planejamento.
Antecipar compras, trabalhar com fornecedores estruturados e acompanhar o mercado internacional deixou de ser uma vantagem. Virou necessidade.