O que isso ensina ao mercado brasileiro sobre a transição dos refrigerantes?
A transição para refrigerantes de menor impacto ambiental está avançando no mundo inteiro. Mas, junto com novos gases, começam a aparecer novas exigências de segurança, instalação e treinamento.
Um exemplo recente veio de Nova York, onde entidades do setor de HVAC-R estão pedindo a atualização das regras locais para utilização de refrigerantes A2L.
Mas antes de entender a discussão, vale responder à pergunta mais importante:
Afinal, o que é um refrigerante A2L?
A2L é uma classificação de segurança utilizada para refrigerantes.
Ela ajuda a identificar duas características importantes do fluido:
-
toxicidade
-
inflamabilidade
No código A2L:
A indica refrigerantes classificados no grupo de menor toxicidade.
2L indica que o refrigerante possui inflamabilidade limitada, com propagação de chama relativamente baixa quando comparada a refrigerantes mais inflamáveis.
Em palavras simples:
um refrigerante A2L pode ser inflamável, mas apresenta comportamento diferente de gases altamente inflamáveis como o propano.
Entre os refrigerantes classificados como A2L encontramos, por exemplo:
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R-32;
-
R-454B;
-
R-454C;
-
R-1234yf.
Esses fluidos vêm ganhando espaço principalmente porque permitem reduzir significativamente o GWP — Potencial de Aquecimento Global — em comparação com diversos refrigerantes tradicionais.
A1, A2L e A3: qual a diferença?
Uma forma simples de entender é comparar algumas classificações encontradas no mercado.
A1
São refrigerantes de menor toxicidade e que não apresentam propagação de chama nas condições definidas pelas normas de classificação.
Exemplos conhecidos incluem alguns dos HFCs tradicionalmente utilizados na refrigeração.
A2L
Também pertencem ao grupo de menor toxicidade, mas apresentam inflamabilidade limitada.
Por isso exigem cuidados adicionais de projeto, instalação e manutenção.
A3
São refrigerantes de menor toxicidade, porém com inflamabilidade mais elevada.
O principal exemplo utilizado hoje na refrigeração é o R-290, o propano.
Portanto:
R-290 não é A2L. Ele é A3.
Essa diferença é muito importante para entender por que cada refrigerante exige procedimentos e equipamentos compatíveis com sua classificação.
Agora sim: o que está acontecendo em Nova York?
Entidades do setor HVAC-R nos Estados Unidos pediram ao Departamento de Obras de Nova York que revise algumas das regras locais para instalações que utilizam refrigerantes A2L.
A discussão envolve a chamada Local Law 77, que estabelece requisitos de segurança para novos sistemas utilizando esses refrigerantes.
Segundo representantes do setor, algumas exigências atuais da cidade foram construídas com base em versões anteriores das normas técnicas e poderiam ser atualizadas para acompanhar os padrões mais recentes.
Entre os pontos questionados estão exigências adicionais para tubulações e circulação de ar que, segundo as entidades, podem aumentar significativamente o custo e a complexidade das instalações.
O debate não é sobre eliminar cuidados de segurança.
É justamente o contrário.
A discussão é sobre qual deve ser a forma tecnicamente adequada de garantir segurança com a tecnologia disponível hoje.
Por que refrigerantes A2L estão ganhando espaço?
Um dos grandes desafios atuais da refrigeração é reduzir o impacto climático dos fluidos refrigerantes.
Muitos refrigerantes tradicionais possuem GWP elevado.
Com a redução progressiva do uso desses gases em diferentes mercados, fabricantes passaram a desenvolver alternativas com impacto climático menor.
Em vários casos, porém, reduzir o GWP significa trabalhar com refrigerantes que apresentam algum grau de inflamabilidade.
É aí que os A2L entram.
Eles permitem uma redução importante do impacto climático em determinadas aplicações, mantendo características técnicas interessantes para sistemas de climatização e refrigeração.
Mas existe uma contrapartida:
o mercado precisa aprender a trabalhar corretamente com eles.
Trocar o gás não é suficiente
Essa talvez seja a maior lição da discussão de Nova York.
Quando um novo refrigerante chega ao mercado, não basta simplesmente substituir uma botija por outra.
A mudança pode envolver:
-
projeto do equipamento;
-
quantidade máxima de refrigerante;
-
ventilação;
-
detecção de vazamentos;
-
componentes elétricos;
-
ferramentas utilizadas;
-
procedimentos de manutenção;
-
treinamento do refrigerista.
Ou seja, a mudança acontece em toda a cadeia.
E onde entra o R-290?
É importante separar as duas discussões.
O caso de Nova York trata especificamente de refrigerantes A2L.
O R-290, comercialmente conhecido como propano refrigerante, pertence à classe A3.
Mesmo assim, os dois assuntos fazem parte de um movimento maior:
a busca por refrigerantes com menor impacto climático.
O R-290 possui GWP muito baixo e já vem ganhando espaço em diferentes aplicações de refrigeração comercial.
Porém, justamente por ser A3, exige equipamentos especificamente projetados para seu uso e cuidados ainda maiores com inflamabilidade.
Isso significa que não é correto simplesmente substituir outro refrigerante por R-290 em um sistema que não foi desenvolvido para ele.
O que essa discussão ensina ao mercado brasileiro?
O caso de Nova York mostra que a transição para novos refrigerantes é muito mais ampla do que parece.
Mesmo mercados maduros precisam adaptar:
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normas;
-
códigos de construção;
-
equipamentos;
-
processos;
-
treinamento;
-
fiscalização.
O Brasil também deve passar por esse processo conforme a redução de gases de maior GWP avance e novas soluções ganhem espaço.
E quem trabalha com refrigeração tem duas opções:
esperar a mudança chegar ou começar a se preparar antes.
Para o refrigerista, o que muda?
Principalmente conhecimento e procedimento.
Quem começa a trabalhar com novos refrigerantes precisa entender:
Qual fluido está dentro do equipamento
Identificação correta passa a ser ainda mais importante.
Qual a classificação de segurança
A1, A2L ou A3 não são apenas letras em uma ficha técnica. Elas influenciam a maneira como o serviço deve ser executado.
Quais ferramentas podem ser utilizadas
Equipamentos e ferramentas precisam ser compatíveis com o refrigerante e com as exigências de segurança da aplicação.
Como lidar com possíveis vazamentos
Ventilação, controle de fontes de ignição e procedimentos adequados passam a ter importância ainda maior quando existe inflamabilidade envolvida.
Para distribuidores, o papel também muda
O distribuidor deixa de ser apenas quem entrega a botija.
Cada vez mais, o mercado precisa de fornecedores capazes de explicar:
-
para qual aplicação o produto é indicado;
-
qual a classificação do fluido;
-
quais cuidados estão envolvidos;
-
e quando é necessário consultar o fabricante do equipamento.
Essa informação ajuda a evitar um dos maiores riscos durante uma transição tecnológica: usar o produto certo da forma errada.
A transição já começou
A discussão de Nova York é mais um sinal de que a indústria de refrigeração está entrando em uma nova etapa.
Fluidos tradicionais continuarão presentes durante muitos anos no parque instalado.
Ao mesmo tempo, refrigerantes A2L, naturais e outras alternativas de menor GWP começam a aparecer em uma quantidade cada vez maior de novos equipamentos.
Isso significa que o profissional de refrigeração provavelmente terá que conviver com várias tecnologias ao mesmo tempo.
Conhecimento técnico será cada vez mais importante para identificar corretamente cada sistema.
A discussão sobre refrigerantes A2L em Nova York pode parecer distante do mercado brasileiro, mas traz uma lição importante.
A transição dos gases refrigerantes não acontece apenas quando um produto novo chega à prateleira.
Ela exige mudança em normas, equipamentos, instalações, ferramentas e principalmente na capacitação dos profissionais.
Por isso, entender conceitos como A1, A2L e A3 deixa de ser assunto apenas de engenheiro ou fabricante e passa a fazer parte do cotidiano de quem compra, vende, instala e mantém sistemas de refrigeração.
No fim, a questão não é apenas escolher um refrigerante de menor GWP.
É saber onde, como e com quais cuidados ele deve ser utilizado.
Quer entender melhor quais refrigerantes estão ganhando espaço e onde cada um pode ser aplicado? Acompanhe o blog da Metalux para ficar por dentro das principais mudanças do setor.