A plataforma chinesa de acompanhamento de commodities SunSirs informou que o preço médio doméstico do R134a chegou a aproximadamente 59.727 yuans por tonelada em 12 de junho, alta de 30,77% em relação ao mesmo período de 2025.
Outra fonte comercial chinesa reportou preço superior a 62.000 yuans por tonelada no final de junho, aproximadamente 14% acima do início do ano.
Esses números são referências do mercado interno chinês. Não são automaticamente preços FOB de exportação, tampouco representam o custo final de uma botija colocada no Brasil.
“O preço subiu porque a China cortou a cota do R134a.”
A cota total chinesa de HFCs para 2026 ficou praticamente estável, em cerca de 797,8 mil toneladas, aumento de aproximadamente 5.963 toneladas sobre 2025.
Dentro desse total:
- a cota do R134a aumentou aproximadamente 3.242 toneladas;
- a do R32 aumentou cerca de 1.171 toneladas;
- a do R125 aumentou aproximadamente 351 toneladas;
- houve redução em algumas outras substâncias, como o R143a.
Ou seja: o R134a teve uma pequena ampliação nominal de cota, mas a oferta continua rígida e sem espaço para responder rapidamente a aumentos de demanda.
O que pode estar sustentando a alta
A leitura mais coerente é uma combinação de:
- limite regulatório à expansão da produção;
- estoque relativamente controlado;
- concentração das cotas em poucos fabricantes;
- demanda automotiva e de reposição;
- disciplina dos produtores na oferta spot;
- negociação antecipada de contratos anuais.
A China também endureceu, desde 1º de março de 2026, o controle de todo o ciclo dos HFCs: produção, venda, consumo, assistência técnica, recuperação, regeneração e destruição.
Impacto no Brasil
Como o Brasil importa grande parte dos fluidos fluorados e de seus componentes, uma alta persistente na origem pode chegar ao mercado brasileiro por meio de:
- preços FOB maiores;
- redução da validade das propostas;
- pedidos de antecipação;
- menor disposição dos fabricantes para vendas spot;
- necessidade de reservar produção com maior antecedência.
Mas ainda seria precipitado anunciar que “o R134a brasileiro subirá 30%”?
Frete, dólar, impostos, estoque nacional, contratos antigos e competição local podem ampliar o movimento.
Grau de impacto para o Brasil: alto e imediato para toda a cadeia.
Alerta sobre a procedência
O comércio internacional de refrigerantes falsificados, contaminados ou incorretamente rotulados é um problema documentado. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente alerta que misturas desconhecidas podem danificar equipamentos, provocar incêndios e causar acidentes. Em 2025, o governo canadense também publicou um alerta específico após identificar cilindros falsamente rotulados como R410A.
Isso demonstra que o risco existe mundialmente.
No Brasil, a importação de HFCs, incluindo o R134a, é controlada pelo Ibama. As empresas importadoras precisam possuir Certificado de Regularidade válido, utilizar as cotas correspondentes e declarar suas operações ao órgão. O sistema brasileiro também acompanha empresas de importação, comercialização, utilização, reciclagem e regeneração de substâncias controladas.
Antes de comprar um fluido refrigerante, verifique:
- Nota fiscal: nunca compre sem documento fiscal.
- Identificação do fornecedor: confirme razão social, CNPJ e endereço.
- Origem do produto: peça a identificação do fabricante e do importador responsável.
- Lote: o cilindro deve permitir identificar o lote do produto.
- Lacre e embalagem: observe sinais de violação, reaproveitamento ou alteração.
- Peso declarado: confira a apresentação e o peso líquido informado.
- Certificado de análise: em compras relevantes, solicite o documento do lote.
- Preço fora da realidade: desconfie quando a diferença não puder ser explicada por estoque antigo, negociação ou condição comercial.
Também vale recomendar a consulta ao Certificado de Regularidade do Ibama quando o fornecedor for o importador. Esse documento é público e indica se a empresa está regular perante as obrigações aplicáveis do Cadastro Técnico Federal.